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Minha caçula vai para a escola.


8 de fevereiro de 2022

Por Kátia Gisele Costa

Ando procurando em meus pensamentos o que eu quero encontrar na escola para a minha filha caçula, ou melhor, o que eu quero que ela encontre na escola. Quando penso nisso, imediatamente me lembro do meu jardim de infância. Me lembro do cheiro do giz de cera, da cortina azul estampada de bichinho, do mingau servido na caneca. É natural que o ser humano construa conceitos a partir das suas experiências, mas ando procurando em meus pensamentos as razões pelas quais quero levar a minha filha de 2 anos para a escola e o que haverá de mágico neste lugar para que ela possa se encantar com ele.

Da última vez que fui para a Itália eu estava na companhia de uma amiga, e entramos em uma livraria em Réggio Emília – cidade que abriga o formato de fazer Educação Infantil considerado o melhor do mundo. Já era fim de tarde, quase noite, e nosso último dia de viagem. Com pé direito duplo e porta envidraçada, a loja já estava com as luzes acesas, mas poucas luzes – aquela penumbra dourada que parece filme romântico. Nós duas nos dispersamos e cada uma foi a procura dos livros que mais lhe interessavam. Nossos olhares se cruzavam de uma ponta a outra da sala apenas com sinais de sobrolho demonstrando nosso prazer e encantamento como quem dissesse: “Olha o que eu achei aqui!”. Não bastando, subimos uma escada escura e estreita que dizia “Clássicos”. Ali os livros não estavam apenas nas estantes, estavam sobre longas mesas, empilhados em pequenos bancos, formando um ambiente inebriante e, em pouco mais de meia hora, Sônia e eu já estávamos com alguns livros nos braços trazendo clássicos italianos dentro da nossa bagagem que, nesta altura, já não comportava mais nem uma agulha.

É impressionante como uma livraria é capaz de engolir uma pessoa que aprecia leituras e livros, a gente não quer mais sair de dentro dela; pega um livro, segura… encontra outro mais interessante, empilha… de repente, acha um melhor que aqueles dois, troca tudo. Às vezes levamos embora todos que escolhemos e omem outras até saímos da livraria sem comprar nada; parece que só de termos ficado aquele tempo com o livro no colo ele já nos pertenceu.

Acho que é esta a sensação que eu quero despertar na minha caçula assim que ela colocar os pezinhos na escola. Quero contribuir para que a escola seja para ela um lugar de aconchego, de carinho. Um lugar onde outras crianças também se identifiquem e que elas tenham preferências em comum. Quero também que a minha menina encontre amigos diferentes dela, assim como, às vezes, encontramos um livro que nos desperta pouco interesse, e é justamente esta a razão que nos faz folheá-lo. Quero muito que a minha filha aprenda – não só comigo- a olhar o mundo por outra perspectiva para que ela não viva ensimesmada.

Percebo o quanto as crianças na fase da Educação Infantil crescem no intervalo de um ano letivo, o quanto elas ganham asas e aprendem a exercer autonomia, o quanto elas adquirirem confiança e aprendem no primeiro setênio noções de respeito, partilha, resiliência, polidez. Admiro os pais que chegam alegres para deixar os filhos na escola e percebo no olhar deles o quanto estão seguros em deixá-los ali. Cada dia me convenço mais que é isso que eu quero para a mim e para a minha caçula. Quero uma convivência saudável, real e feliz! Quero que, vez ou outra, ela volte para casa com o joelho ralado, que traga areia do parquinho nos bolsos da calça, quero que chegue com a camiseta suja de tinta, quero que um dia ou outro se desentenda com algum amigo e que possa refletir sobre o que fez e o que disse, quero que ela crie laços, que ela sente no banco de trás e durma enquanto conta suas estripulias.

Na verdade, eu quero que a escola seja para a minha filha o que uma livraria é para mim: um espaço envolvente, atador. Que seja um lugar em que ela queira voltar todos os dias e que ao sair leve uma lembrança (boa ou não) para começar a compor a sua grande e pesada bagagem de vida.

Katia Gisele Costa é Pedagoga pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e Mestre em Educação pela Universidade do Minho (Portugal). É Coordenadora Pedagógica – Educação Infantil no Colégio Pontagrossense SEPAM, de Ponta Grossa-PR.

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